Olá! Sejam muito bem-vindos ao módulo 1 da trilha de Engenharia de Plataforma, onde vamos explorar o que é a Engenharia de Plataforma, ou Platform Engineer. Eu, Natália Granato, serei a instrutora deste módulo ao longo de três aulas.
Audiodescrição: Natália é uma mulher negra de pele clara, com cabelo crespo raspado dos lados e tingido de magenta roxa. Ela é embaixadora da CNCF no Brasil, capitã do Docker e trabalha como Engenheira de Plataforma em uma grande Big Tech brasileira. Nos últimos anos, tem se dedicado a construir plataformas internas para agilizar o desenvolvimento de software.
Neste módulo, vamos estabelecer uma base e um entendimento sobre o que é a Engenharia de Plataforma. Analisaremos como chegamos até aqui, passando pela história e evolução do desenvolvimento de software até o ponto atual, que é o tema do nosso curso. Também discutiremos como adotar a Engenharia de Plataforma nas empresas em que trabalhamos. Esta aula será importante para que pessoas desenvolvedoras, DBAs, sysadmins, devops, SREs, gerentes ou não, saibam como iniciar essa jornada na Engenharia de Plataforma.
Na primeira aula, vamos definir o que é Engenharia de Plataforma, comparando modelos tradicionais e o modelo ágil, além do modelo organizacional e cultural da Engenharia de Plataforma. Também abordaremos os benefícios que a Engenharia de Plataforma traz para o nosso dia a dia.
Para quem é iniciante ou não na área de tecnologia, conhecer Engenharia de Plataforma pode ser determinante para a carreira, proporcionando saltos maiores e maior valorização. Se o objetivo é trabalhar em grandes empresas brasileiras ou estrangeiras, o tema da Engenharia de Plataforma tem se tornado uma prioridade para grandes empresas e big techs. Isso ocorre porque a tecnologia é um negócio, e no final das contas, não entregamos apenas código, infraestrutura ou segurança; entregamos soluções que resolvem problemas ou implementam funcionalidades em aplicações, sites e aplicativos.
Nos últimos anos, saímos do modelo tradicional de desenvolvimento, onde equipes de desenvolvimento e infraestrutura eram completamente separadas, com administradores de sistemas trabalhando de forma isolada. Com o lançamento do Manifesto Ágil, muitas práticas que utilizamos hoje, como a forma de conduzir reuniões diárias e a comunicação entre equipes, foram estabelecidas. A cultura DevOps surgiu para aproximar desenvolvimento e operações, promovendo colaboração.
Na era do "tudo como código", precisamos dominar, aprender e implementar diversas ferramentas, o que trouxe grande complexidade ao desenvolvimento de software. Exemplos incluem as grandes provedoras de nuvem como AWS, GCP e ESB, além de containers, linguagens de programação, ferramentas de mensageria, eventos, segurança, pipelines de CI/CD e ferramentas de Git. Essa complexidade aumenta a carga de preocupação das pessoas desenvolvedoras com pré-requisitos e modelos de desenvolvimento.
A Engenharia de Plataforma surge como resposta a esses desafios. Ela é uma cultura organizacional e uma disciplina que foca em construir e manter plataformas de desenvolvimento de software. O objetivo é permitir que uma equipe de produto comece a desenvolver rapidamente, utilizando templates e padrões, desde a criação de um repositório Git até uma pipeline para deploy da aplicação. Isso possibilita que as próprias pessoas desenvolvedoras se auto-atendam, obtendo rapidamente todos os pré-requisitos para que a aplicação funcione em produção, como documentação, estratégias de deploy e rollback.
A Engenharia de Plataforma busca melhorar a experiência do desenvolvedor, conhecida como DevX, para que ele entregue produtos de forma mais ágil e eficiente. A mudança na forma de trabalho envolve atuar como fornecedor de plataformas internamente, atendendo clientes internos, como equipes que desenvolvem soluções específicas. Reunimos ferramentas, serviços, fluxos de trabalho, templates de linguagem de programação e práticas de segurança em um ponto único, facilitando a implementação de aplicações seguindo boas práticas.
Vamos realizar um comparativo entre o que chamamos de Ticket Ops, que era uma forma de atender qualquer tipo de solicitação através de tickets, e o modelo de autoatendimento que a engenharia de plataforma busca implementar. Anteriormente, uma pessoa desenvolvedora, para iniciar um projeto, dependia de várias áreas, incluindo a equipe de infraestrutura. Essa dependência gerava conflitos, pois a equipe de operações enfrentava uma fila extensa de tickets e solicitações, resultando em atrasos na entrega do produto. Por outro lado, a equipe de desenvolvimento também se frustrava, pois não conseguia iniciar o projeto ou implementar algo que dependia de outra equipe, que já lidava com um grande gargalo.
Por exemplo, a criação de um simples usuário poderia demorar uma semana ou mais. A engenharia de plataforma busca romper com esse modelo de tickets e filas, oferecendo soluções de autoatendimento. Com um clique, é possível obter acesso ao repositório, criar um repositório, integrar pipelines e ambientes de produção de sandbox, além de ferramentas de segurança e monitoramento de deploys. Um template baseado em uma linguagem de programação também é disponibilizado para iniciar o projeto. Isso pode ser feito através de um clique, acessando um IDP, onde todo o ferramental está disponível.
Essa abordagem reduz o tempo necessário para implementar uma aplicação e altera a forma como as equipes de infraestrutura trabalham. O foco passa a ser a plataforma, permitindo que as pessoas desenvolvedoras se autosservem. A equipe de infraestrutura não se preocupa apenas com serviços de cloud, como máquinas virtuais, redes, storage, segurança e CICD. Ela também busca integrar o serviço de CICD com a plataforma e abstrair esse serviço para as pessoas desenvolvedoras, permitindo que realizem tarefas rapidamente através de um clique, CLI ou API.
Para profissionais de tecnologia, a engenharia de plataforma representa um avanço na carreira. Pessoas que antes atuavam apenas na infraestrutura ou IAC passam a dominar linguagens de programação e a construir plataformas, ampliando sua visão de carreira, tecnologia e produto. A engenharia de plataforma busca resolver problemas e traz ganhos significativos para equipes de TI, desenvolvimento, administração de sistemas, dados, machine learning e IA.
Essa abordagem transforma a gestão da infraestrutura, alterando o dia a dia de sysadmins, DevOps e SREs, e impactando a forma como entregamos soluções. Em resumo, a engenharia de plataforma promove uma mudança na forma de trabalho e na cultura organizacional, resultando em desdobramentos tecnológicos e na implementação de novas tecnologias. A padronização reduz a complexidade da infraestrutura e das ferramentas, trazendo benefícios e resolvendo problemas para equipes e organizações.
Nos vemos na próxima aula.
Olá, nesta aula vamos discutir a história e a evolução da engenharia de plataforma. Antes de iniciarmos esse conteúdo, faremos uma breve recapitulação sobre o que discutimos na última aula. Compreendemos o que é a engenharia de plataforma, os benefícios que ela traz para as organizações que a adotam e também qual problema ela busca resolver.
Nesta aula, vamos entender como chegamos até aqui e como a engenharia de plataforma surgiu. Ela é uma evolução de décadas de desafios e de excelentes soluções que vivenciamos em relação à entrega e à manutenção de software em produção.
Para isso, precisamos voltar um pouco no tempo, mais precisamente ao final da década de 90 e início dos anos 2000, quando tínhamos profissionais conhecidos como administradores de sistemas, ou os famosos sysadmins. O papel deles nas organizações era ser os guardiões dos sistemas e servidores, acumulando diversas funções dentro de uma empresa de tecnologia. Isso gerava alguns problemas, como o fato de serem os únicos pontos de falha e controle dentro da organização, causando atritos entre as equipes de operação e desenvolvimento.
As equipes trabalhavam de forma isolada. De um lado, os sysadmins buscavam manter a estabilidade dos sistemas e servidores, enquanto os desenvolvedores queriam entregar software rapidamente em produção. Os desenvolvedores ficavam presos às burocracias internas, pois os sysadmins eram os únicos que conseguiam provisionar, monitorar e observar recursos. Por outro lado, os sysadmins sofriam com a sobrecarga de trabalho, operando em um modelo de ticket ops com filas intermináveis de solicitações, desde a criação de servidores até a criação de usuários, não conseguindo atender rapidamente às demandas dos desenvolvedores. Esse modelo se tornou insustentável, especialmente na transição para a era digital.
Em 2001, ocorreu um momento importante com o lançamento do manifesto ágil, que focava na interação entre equipes e na funcionalidade dos softwares nos servidores. Começaram a ser adotadas automações e linguagens de script, evoluindo para a cultura DevOps entre 2009 e 2010, que buscava unir operação e desenvolvimento, promovendo agilidade e eficiência. Ferramentas e metodologias como CICD, GitLab CI, GitHub Actions, Bitbucket e Azure DevOps surgiram para facilitar o processo de desenvolvimento, desde o commit até o deploy.
O DevOps trouxe a importância de entregar de forma ágil para falhar rapidamente e obter feedback rápido, promovendo a comunicação entre as equipes para resolver problemas de código e infraestrutura. No entanto, isso também trouxe complexidade, com um mar de ferramentas, modelos, inteligência artificial, provedores de nuvem e linguagens de programação, gerando uma carga cognitiva nos desenvolvedores e na infraestrutura.
A partir desse cenário, surge a engenharia de plataforma. A discussão começou a ser levantada em 2018 e 2019, com o conceito de engenharia de plataforma sendo introduzido por Ivan Botcher da Thoughtworks, que a nomeou como plataforma digital ou IDP. Ele definiu IDP como uma fundação de APIs de autoatendimento, com ferramentas, base de conhecimento e suporte para que o desenvolvedor possa focar no código e no modelo de negócio.
A ideia fundamental da engenharia de plataforma é tratar a plataforma como um produto interno. Enquanto normalmente trabalhamos com produtos voltados para usuários finais, como um banco com site ou aplicativo, na engenharia de plataforma desenvolvemos soluções para atender outros times dentro de uma organização.
Em 2019, Matthew Skelton e Manuel Pais lançaram o que chamam de Team Topology, onde definiram o papel da equipe de plataforma. Começaram a surgir os primeiros meetups, palestras e cursos em torno dessa discussão, e eles definiram a engenharia de plataforma como uma tentativa de estabelecer um padrão para avançar contra a proliferação de ferramentas sem padrões. Tentaram reunir esses recursos dentro de um produto interno.
De 2020 para cá, houve uma grande corrida em torno da engenharia de plataforma, principalmente entre as grandes empresas multinacionais e big techs, pois tornou-se insustentável entregar valor, funcionalidades e corrigir bugs em tempo recorde sem uma plataforma de autoatendimento ou processos rápidos que evitem perdas financeiras. Um marco importante foi o que o Spotify fez com o lançamento do Backstage. O Backstage é reconhecido como o maior software de DP, faz parte da CNCF (Cloud Native Computing Foundation), e possui até certificação. O Spotify, com milhões de requisições e uma infraestrutura robusta, lançou o Backstage para resolver ou pelo menos tentar resolver esses desafios.
Em 2022, um estudo da Gartner destacou a engenharia de plataforma como uma das principais estratégias de tecnologia. Houve um crescimento exponencial da comunidade de engenharia de plataforma, seja no Slack, meetups ou organizações oficiais. A realidade atual e futura é que 80% das grandes organizações adotam engenharia de plataforma e terão equipes dedicadas de PI. Os serviços e ferramentas em torno da engenharia de plataforma devem ultrapassar valores astronômicos de mais de 50 bilhões de dólares.
Alguns casos de sucesso destacam a importância da engenharia de plataforma. O Spotify, já mencionado, continua crescendo com mais contribuições da comunidade, mais plugins e integrações com outras ferramentas. Cerca de 700 grandes empresas dependem centralmente do Spotify. A Netflix construiu uma plataforma interna em torno do Kubernetes e de microserviços, permitindo que as pessoas desenvolvedoras focassem na inovação e no negócio, enquanto a plataforma resolvia problemas de segurança, escalabilidade, monitoramento e automação de ponta a ponta.
Outras empresas como American Airlines, T-Mobile, Unity e, no Brasil, bancos e outras empresas também adotam a engenharia de plataforma. O Google, por exemplo, foca seus produtos e plataformas no usuário, o que resultou em um crescimento de 40% no desempenho organizacional.
Para quem deseja ser uma pessoa profissional que domina mais de uma área do conhecimento, como operações ou DevOps, a engenharia de plataforma é o presente e o futuro. Se visualizamos nossa carreira em uma big tech ou grande empresa, é necessário planejar a carreira para focar na engenharia de plataforma, pensar nela como um produto, e considerar a importância de obter feedback dos usuários internos e convencer múltiplas equipes a utilizarem a plataforma.
O futuro da engenharia de plataforma é vasto, com potencial para substituir ferramentas como Terraform e Ansible, integrando com Machine Learning para otimizar tarefas complexas. Não se trata apenas de infraestrutura, mas também de prever falhas e personalizar a experiência dos times e das pessoas desenvolvedoras, SREs, DevOps, etc. A inteligência artificial será crucial para alavancar os negócios das grandes empresas.
Precisamos pensar em engenharia de plataforma para infraestrutura, com equipes que reduzam a carga cognitiva das pessoas desenvolvedoras e tornem a infraestrutura um produto de autoatendimento ou baixa manutenção. A engenharia de plataforma pode resolver questões como ambientes de desenvolvimento, estabelecer modelos de maturidade, desenvolver modelos de SaaS e nuvem como commodity, e tornar a infraestrutura transparente para quem consome o produto.
Em um cenário de multi-cloud, onde o software pode ser entregue em mais de uma nuvem, a evolução da engenharia de plataforma é fundamental, combinada à inteligência artificial para aumentar a produtividade. Isso não se aplica apenas a empresas de tecnologia, mas também a plataformas de autoatendimento, com ou sem um IDP, e até mesmo uma CLI para provisionar recursos necessários para começar a codificar.
Isso torna nosso dia a dia mais dinâmico e produtivo, acelerando o tempo de lançamento de produtos no mercado, beneficiando os usuários finais. Há uma redução de custos operacionais, de lançamento de novas funcionalidades, correções de bugs, configuração de infraestrutura e manutenção. A segurança e conformidade melhoram, e há mais agilidade nos negócios, com identificação e correção rápida de problemas de segurança.
Caminhamos para eliminar milhões de tickets, servindo o melhor para as empresas, melhorando a retenção de talentos e a satisfação dos funcionários. Pensando na carreira, os salários de uma pessoa profissional de plataforma são superiores a outros profissionais de tecnologia, especialmente se dominarem infraestrutura e desenvolvimento.
Nos vemos na próxima aula.
Olá! Chegamos à nossa terceira aula deste módulo 1 e hoje vamos falar sobre o modelo de maturidade de engenharia de plataforma. Este é um ponto bastante importante, pois antes de começar a adotar a engenharia de plataforma, precisamos saber em qual nível nossas equipes estão. Imagine que trabalhamos em uma empresa que ainda não chegou à era da infraestrutura com código de gerenciamento de configurações de forma automatizada. Como adotar a engenharia de plataforma se ainda não saímos, por exemplo, da criação manual de infraestrutura e já queremos pular para a engenharia de plataforma? O modelo de maturidade nos ajudará a identificar em qual ponto nossa empresa está e servirá como um guia para onde ela deve ir e quais são os objetivos necessários para alcançar isso.
Nas últimas duas aulas, vimos o que é engenharia de plataforma, entendemos o que ela se propõe a fazer e quais problemas deseja resolver. Na aula 2, discutimos a história e evolução até chegarmos ao momento atual da engenharia de plataforma. Vamos entender juntos como utilizar o modelo de maturidade para implementar a engenharia de plataforma ou dar um passo nesse sentido.
Primeiramente, o modelo de maturidade que vamos apresentar é uma premissa da CNCF, aberto para todos pesquisarem e lerem. Ele visa avaliar as equipes e, a partir dessa avaliação, nos ajudar a traçar planos para atingir esse objetivo. Este guia não pretende ser uma solução mágica para resolver todos os problemas e é apresentado em níveis até conseguirmos atingir a excelência dentro da plataforma. O primeiro deles é o nível provisório, seguido pelo operacionalizado, escalável e, por fim, o nível otimizado, que seria o momento em que conseguimos atingir a excelência dentro da plataforma.
Temos cinco dimensões-chave dentro desses níveis para tentar saber em que momento nossa organização está. A primeira delas é relacionada ao investimento, ou seja, precisamos fazer um investimento baixo, tanto no sentido financeiro quanto de pessoas. Também temos o nível de adoção, que mede se nossas equipes internas estão adotando ou não essa nova abordagem. O terceiro ponto é a centralidade, discutida nas aulas anteriores, que se refere a uma interface única para as equipes utilizarem. As operações são outro aspecto, medindo como isso funciona para a operação. Um ponto importante é que nossa organização pode cumprir alguns requisitos do primeiro nível, mas também cumprir requisitos do último nível. Não é uma fórmula exata; podemos ter elementos de diferentes níveis dentro da nossa ordem. O guia é claro no sentido de que precisamos cumprir esses requisitos e dimensões para saber em qual nível estamos. Este guia pode funcionar como um roadmap para identificar melhorias dentro da plataforma.
Vamos falar sobre as características de cada um desses níveis. O primeiro nível, o nível provisório, caracteriza-se por ser uma solução temporária. Nesse nível, a engenharia de plataforma surge por uma necessidade imediata e urgente de melhorar as entregas de software. Não temos uma equipe dedicada de engenharia de plataforma; ela pode ser composta por profissionais de outras equipes que se voluntariaram ou que, de forma temporária, assumem essa missão. Isso pode gerar sobrecarga, pois há outras tarefas além da plataforma. A adoção é inconsistente, sem um processo de evangelização dentro da organização, e ocorre de forma dispersa. Ainda temos processos com dependências que precisam ser cumpridas por equipes que fazem intervenções personalizadas. O conhecimento é compartilhado de pessoa para pessoa, não estando amplamente disponível. As operações são realizadas conforme demanda, sem uma forma de medir a adoção da engenharia de plataforma, pois ainda não estabelecemos uma premissa qualitativa ou quantitativa para isso.
No nível 2, o nível operacionalizado, a plataforma começa a ter reconhecimento e valor para a organização. Aqui, já temos uma equipe dedicada de plataforma, mas ainda há dificuldade em medir o impacto organizacional. Cerca de 43,28% das organizações que adotam engenharia de plataforma estão neste nível. A adoção é por impulso, e as interfaces costumam ser ferramentas padronizadas. Já conseguimos ter uma padronização mínima dos processos com documentação ampla e templates. Há suporte disponível, permitindo que problemas sejam solucionados mais rapidamente. A operação começa a funcionar de forma centralizada, com dados estruturados disponíveis para equipes e gestores.
No nível 3, chamado de escalável, tratamos a plataforma como um produto interno, e o investimento é baseado no valor gerado para as pessoas desenvolvedoras. Um exemplo seria a redução de 10% no tempo de lançamento de uma funcionalidade. Já temos gestão de produto dentro da plataforma e uma UX explícita. Cerca de 35% das organizações chegaram a este nível. A adoção tem um impacto positivo na diminuição da carga cognitiva das pessoas desenvolvedoras. Temos soluções de autoatendimento, operações centralizadas e processos padronizados de contribuição e continuous delivery. Avançamos na medição, com geração de insights focados na confiabilidade e estabilidade. Todas as decisões são baseadas em dados e feedbacks das pessoas desenvolvedoras.
No nível 4, o nível de excelência, chamado de otimizado, a plataforma está totalmente integrada ao ecossistema da empresa, desde a área de TI até o RH. Há uma redução significativa de custos, governança, conformidade e grande escalabilidade dos workloads. Poucas organizações atingiram este nível, o que é normal para quem está iniciando ou tentando consolidar um processo de plataforma. A adoção é mais participativa, e a plataforma é a espinha dorsal da cultura organizacional. Todos os serviços, ou quase todos, estão integrados de forma nativa, desde a solução de Git até a parte de observabilidade e recuperação de desastres.
Agora que entendemos um pouco desses diferentes níveis, precisamos saber quais estratégias adotar para evoluir nossa plataforma. Mesmo que estejamos no nível 1, precisamos ter a mentalidade de tratar a plataforma como um produto. Não entregamos apenas um módulo Terraform, por exemplo, mas uma solução que resolve um problema. Realizamos onboardings, temos documentação detalhada sobre a funcionalidade do módulo, detalhes sobre correções de segurança e como reaproveitar o módulo em diferentes projetos.
Tudo que fazemos dentro da plataforma precisa ser visto como um produto, independentemente do nível em que estamos. Se estamos no nível provisório, onde as coisas são feitas de forma urgente, sem muito planejamento, a primeira coisa é formar uma equipe dedicada para a plataforma, para desenhar a arquitetura e identificar as principais dores dos times internos. Com uma equipe dedicada, supõe-se que teremos mais tempo para pensar em como queremos que a plataforma seja. Precisamos criar um MVP, fazendo uma POC para viabilizar isso.
Ao sair do provisório para o operacionalizado, como damos o próximo passo para o escalável? Precisamos entender a plataforma como um produto, focando no usuário e estabelecendo canais de feedback dos principais usuários, que são aqueles que consomem a plataforma. Devemos investir em interfaces de autoatendimento, na construção de um portal de desenvolvimento interno, onde começamos a evangelizar as pessoas desenvolvedoras para criar a infraestrutura de forma automatizada, em poucos cliques.
Devemos definir padrões de automação de infraestrutura, de CICD, de observabilidade, de segurança, entre outros. Precisamos padronizar e automatizar tudo isso. Para alcançar o nível de excelência, começamos a pensar em escalabilidade e otimização para muitos usuários e equipes. Não pensamos apenas em 500 pessoas utilizando a plataforma, mas em mil, dois mil, e como escalar a plataforma para atender a tantas pessoas.
O principal desafio é avaliar a maturidade da equipe e da empresa. Para isso, precisamos identificar pontos de melhoria para continuar avançando. O modelo da CNCF traz cinco dimensões para avaliar isso, mapeando, identificando e comparando os níveis para chegar a um denominador comum. É comum ter elementos de diferentes níveis, como uma base de conhecimento sem provisionamento de infraestrutura automatizado, ou provisionamento automatizado em IAC com o Estado, mas sem um padrão de segurança de compliance definido.
Precisamos focar em ações para implementar melhorias baseadas em métricas e coletas de dados qualitativos e quantitativos. O impacto da maturidade no resultado dos negócios pode ser medido pela aceleração na entrega de valor, lançamento rápido de produtos e funcionalidades, correção rápida de problemas, aumento na produtividade das equipes devido à redução da carga cognitiva, eliminação de tickets e filas, e automação de tarefas.
Com a plataforma, temos uma base forte para enfrentar qualquer mudança no mercado. Encerramos o módulo 1. Agradecemos a todos que nos acompanharam até aqui. A engenharia de plataforma é o presente e uma necessidade para o futuro. À medida que as organizações e a complexidade crescem, e com todas as grandes empresas em uma corrida pela IA, a engenharia de plataforma é fundamental para entregar valor nas carreiras e para que as empresas inovem cada vez mais, tendo um impacto real nos grandes negócios.
Trata-se de fluxo de padrões, mas também de muita evangelização e feedback. É um caminho tortuoso, mas gratificante para quem constrói, consome e depende de plataforma, pois acelera a entrega de valor, retém talentos e nos dá uma visão de futuro em que as organizações serão mais competitivas entre si e no mercado digital. Agradecemos por nos acompanhar até aqui e esperamos que continuem sua jornada no aprendizado sobre engenharia de plataforma.
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